Plantio de soja, milho e arroz começa a avançar pelo país, enquanto produtores de áreas de sequeiro no Matopiba ainda aguardam melhores condições do solo
As chuvas registradas em setembro favoreceram o início da safra de grãos 2026/27 em diferentes regiões do Brasil, com avanço da semeadura de soja, milho e arroz. No Matopiba, região que inclui o Tocantins, porém, as precipitações ainda não foram suficientes para recuperar a umidade do solo e permitir o plantio na maioria das áreas de sequeiro.
O cenário consta no Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que analisou as condições das principais regiões produtoras entre os dias 1º e 21 de setembro.
Segundo a estatal, as precipitações registradas no Matopiba contribuíram para amenizar o risco de incêndios, mas ainda foram insuficientes para recompor o armazenamento hídrico do solo. A condição mantém produtores atentos à regularização das chuvas antes do avanço das máquinas.
No Tocantins, a janela oficial para o plantio da soja em áreas de sequeiro começa nesta quinta-feira, 1º de outubro, após o encerramento do vazio sanitário, e segue até 15 de janeiro de 2027.
Soja começa a avançar pelo país
Em outras regiões produtoras, a presença de umidade no solo já permite o início dos trabalhos da nova temporada.
Em Mato Grosso do Sul, as condições são consideradas favoráveis para a implantação das primeiras lavouras de soja em praticamente todo o estado. No Paraná, onde o vazio sanitário já terminou em algumas regiões, o clima também favoreceu o avanço da semeadura.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, o plantio ocorre principalmente em áreas irrigadas, enquanto a semeadura em áreas de sequeiro ainda acontece de forma pontual.
O comportamento das chuvas nas próximas semanas será determinante para o ritmo de implantação da soja em regiões que ainda apresentam menor disponibilidade de água no solo.
Milho e arroz também entram em campo
A safra 2026/27 também começa a ganhar espaço com outras culturas. No Paraná, a umidade favoreceu o plantio do milho primeira safra. Em Santa Catarina, a semeadura continua, embora o excesso de água em algumas áreas limite a entrada das máquinas.
No Rio Grande do Sul, a redução das chuvas permitiu o avanço dos trabalhos com o milho e também da implantação das lavouras de arroz. Aproximadamente 10 mil hectares do cereal já haviam sido semeados na Fronteira Oeste.
Em Santa Catarina, a disponibilidade hídrica também favorece o estabelecimento das lavouras de arroz, apesar das dificuldades operacionais provocadas pelo excesso de umidade.
No Maranhão, que também integra o Matopiba, o arroz irrigado está em estágio mais avançado, com as primeiras áreas em colheita. Para o cultivo de sequeiro, o início da semeadura está previsto para dezembro.
Excesso de chuva preocupa produtores de trigo
Se para parte das culturas de verão a chuva favoreceu o início dos trabalhos, o excesso de umidade tem provocado problemas nas lavouras de inverno, especialmente no trigo.
No Paraná, produtores ajustam a colheita aos intervalos sem chuva para tentar preservar a qualidade dos grãos. Em Santa Catarina, a elevada umidade aumentou a pressão de doenças, como giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares.
Em São Paulo, a combinação de chuva e temperaturas mais baixas também compromete a qualidade dos grãos e aumenta o risco de germinação do trigo ainda na espiga.
O monitoramento por satélite da Conab já indica mudanças nas condições das lavouras. Nos dados mais recentes, o índice de vegetação do trigo ficou abaixo do registrado no ciclo anterior na maioria das regiões acompanhadas, situação que pode estar relacionada à deterioração provocada pelo excesso de umidade.
Com a safra 2026/27 começando a avançar, a distribuição das chuvas passa a ser um dos principais fatores para definir o ritmo da semeadura nas próximas semanas, especialmente nas áreas de sequeiro do Matopiba.
Com informações da Conab.

















