Demanda chinesa e compras das indústrias impulsionam a oleaginosa, enquanto menor oferta de milho e preocupações com o cenário internacional sustentam os preços do cereal
Os preços da soja avançaram de forma expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias e alcançaram os maiores patamares nominais diários desde abril de 2023. O milho também segue em valorização, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
No mercado da soja, a alta é sustentada pela combinação entre demanda aquecida e menor disposição dos produtores para negociar. Os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná atingiram os níveis mais elevados em pouco mais de três anos.
A procura internacional continua firme, com destaque para as compras da China. No Brasil, as indústrias também intensificaram as aquisições para recompor e garantir estoques, enquanto vendedores restringem a oferta de novos lotes no mercado spot.
Segundo pesquisadores do Cepea, parte dessa cautela está relacionada às incertezas sobre a oferta mundial na safra 2026/27, principalmente diante dos possíveis efeitos do El Niño. O cenário também tem pressionado as cotações internacionais e reforçado o movimento de alta observado no mercado brasileiro.
Milho sobe mesmo com avanço da colheita
No mercado do milho, a entrada da produção da segunda safra não tem sido suficiente para pressionar as cotações. Conforme o Cepea, produtores estão menos interessados em realizar negócios no mercado spot, para entrega futura e também para exportação.
Entre os fatores que sustentam os preços estão as preocupações com a produtividade das lavouras dos Estados Unidos. A possibilidade de redução da oferta norte-americana provocou avanço das cotações internacionais do cereal.
As perspectivas menos favoráveis para a produção na União Europeia e as incertezas relacionadas ao conflito na região do Mar Negro também reforçam a sustentação dos contratos futuros.
No Brasil, vendedores têm limitado a quantidade de milho disponível para negociação diante da expectativa de novas valorizações. Do outro lado, compradores que precisam recompor estoques já sinalizam a necessidade de elevar as ofertas para conseguir fechar negócios.
Assim, mesmo em um período marcado pelo avanço da colheita da segunda safra, o mercado brasileiro encontra sustentação na retração dos vendedores e, principalmente, nas expectativas em torno da oferta mundial de grãos nos próximos meses.

















