Enquanto a cena chamou atenção nas redes sociais, fazendas brasileiras já utilizam diferentes tecnologias para tornar o manejo mais eficiente; no Tocantins, drones e sistemas de monitoramento já fazem parte da rotina de propriedades de referência.
O vídeo publicado pelo cantor Juliano, da dupla Henrique & Juliano, conduzindo um rebanho com um helicóptero viralizou nas redes sociais nesta semana. Nas imagens, o sertanejo sobrevoa uma das fazendas da dupla enquanto auxilia na movimentação dos animais e brinca: “Vai, boi”.
A cena despertou curiosidade entre quem não acompanha a rotina do campo, mas está longe de ser apenas uma demonstração de habilidade na pilotagem. Em propriedades de grande extensão territorial, o helicóptero é utilizado para agilizar o deslocamento, localizar animais dispersos e auxiliar na condução do rebanho, reduzindo o tempo necessário para operações que, por terra, poderiam levar horas.
O uso da aeronave, no entanto, ainda é uma realidade restrita a grandes fazendas, principalmente de pecuária extensiva. Mesmo nesses casos, ela não substitui o trabalho dos vaqueiros, mas funciona como uma ferramenta de apoio para tornar o manejo mais rápido e eficiente.
Tecnologia chega ao campo por diferentes caminhos
Se o helicóptero ainda é um equipamento presente em poucas propriedades, outras tecnologias vêm ganhando espaço na pecuária brasileira.
No Tocantins, por exemplo, drones, identificação eletrônica dos animais, softwares de gestão e sistemas de rastreabilidade já fazem parte da rotina de fazendas que investem em pecuária de precisão.
Durante a Rota da Pecuária 2026, realizada pelo Governo do Estado, uma das propriedades visitadas foi a Fazenda Santana, em Pium, associada da Novilho Precoce Tocantins. Entre as tecnologias apresentadas estavam drones utilizados para monitorar as pastagens e identificar plantas invasoras, além de brincos eletrônicos que permitem acompanhar individualmente cada animal e softwares voltados à gestão do rebanho.
Na prática, cada tecnologia atende uma necessidade diferente. Enquanto o helicóptero pode ser empregado para conduzir grandes lotes de animais em áreas extensas, os drones vêm sendo utilizados para inspeção de cercas, monitoramento das pastagens, identificação de falhas e acompanhamento das condições da propriedade, com menor custo operacional.
Produzir mais com menos mão de obra
A expansão dessas tecnologias também acompanha uma mudança no perfil da produção rural. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que o Brasil perdeu quase dois milhões de trabalhadores no setor primário entre 2012 e 2023.
Ao mesmo tempo, a frota de drones agrícolas saltou de cerca de 3 mil equipamentos em 2021 para aproximadamente 35 mil em 2025, segundo o Ministério da Agricultura. Hoje, além da pulverização de defensivos, esses equipamentos são utilizados para monitoramento de lavouras, aplicação de fertilizantes, mapeamento de áreas e apoio ao manejo das propriedades.


















