Colostragem e cura do umbigo reduzem riscos de doenças, diminuem gastos com tratamentos e favorecem o desempenho produtivo dos animais
As primeiras horas de vida de um bezerro podem determinar seu desempenho durante toda a fase produtiva. Cuidados como a colostragem adequada e a cura do umbigo são considerados fundamentais para reduzir a ocorrência de doenças, diminuir a mortalidade e garantir um melhor desenvolvimento dos animais.
O tema ganha importância em um momento de aumento da produção nacional de leite e redução da remuneração ao produtor. Dados da Pesquisa Trimestral do Leite, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os estabelecimentos sob inspeção sanitária captaram 6,78 bilhões de litros de leite cru no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado e o maior volume da série histórica para o período. Em contrapartida, o preço médio pago ao produtor caiu 18,8% na comparação anual, chegando a R$ 2,24 por litro.
Nesse cenário, reduzir perdas dentro da propriedade torna-se ainda mais importante. Uma delas pode começar logo após o nascimento do animal, quando ocorre falha na chamada transferência de imunidade passiva, geralmente provocada por uma colostragem inadequada.
Segundo Gustavo Freu, especialista técnico da linha de Terapêuticos e Silagem da Ourofino Saúde Animal, a prevenção é uma das principais ferramentas para aumentar a eficiência dos sistemas de produção.
“Na bovinocultura de leite, precisamos atuar muito mais de forma preventiva do que no tratamento. Ao proteger a saúde dos bezerros desde os primeiros cuidados, reduzimos a necessidade do uso de antimicrobianos e evitamos impactos que podem acompanhar o animal ao longo de toda a vida produtiva.”
O colostro funciona como a primeira vacina
Diferentemente de outras espécies, os bovinos não transferem anticorpos da mãe para o feto durante a gestação. Por isso, o recém-nascido depende totalmente da ingestão de colostro para adquirir imunidade.
A recomendação técnica é fornecer, nas duas primeiras horas de vida, um volume equivalente a 10% do peso vivo do bezerro. Nas seis horas seguintes, o animal deve receber mais 5% do peso em colostro.
“O colostro funciona como a primeira vacina do recém-nascido. É por meio dele que o animal recebe os anticorpos necessários para enfrentar os microrganismos presentes no novo ambiente. Quanto mais cedo esse fornecimento acontece, maior tende a ser a capacidade de absorção das imunoglobulinas”, explica Freu.
Além da quantidade, a qualidade também faz diferença. O ideal é utilizar colostro com leitura superior a 25% na escala Brix, parâmetro que indica boa concentração de imunoglobulinas.
Reflexos podem aparecer meses depois
Nem sempre a falha na colostragem apresenta consequências imediatas. No entanto, ela pode aumentar a ocorrência de doenças como diarreia e pneumonia, elevar os custos com medicamentos, comprometer o crescimento e reduzir o potencial produtivo dos animais ao longo da vida.
“Um bezerro bem colostrado tende a adoecer menos, desenvolver-se melhor e chegar à fase produtiva em condições mais favoráveis. Já o animal que sofre uma falha na transferência de imunidade pode apresentar doenças com maior frequência e carregar os reflexos desse início inadequado ao longo da vida”, afirma o especialista.
Outro procedimento considerado indispensável é a cura do umbigo. A recomendação é utilizar solução de iodo a 10% até a completa secagem da estrutura, reduzindo o risco de entrada de microrganismos que podem provocar infecções graves.
Para Freu, o maior desafio das fazendas não está no conhecimento das técnicas, mas na padronização dos procedimentos.
“Não basta que a equipe conheça o procedimento. É preciso estabelecer uma rotina para que quantidade, qualidade e horário do fornecimento sejam respeitados independentemente do dia, do turno ou do profissional responsável pelo atendimento.”
Capacitação reduz necessidade de tratamentos
Diarreias e pneumonias continuam entre as principais enfermidades dos bezerros nas primeiras semanas de vida. Além do impacto sobre o bem-estar animal, esses problemas aumentam os custos com medicamentos, mão de obra e assistência veterinária.
Por isso, especialistas defendem que o investimento em treinamento das equipes e na adoção de protocolos de manejo para recém-nascidos seja tratado como uma estratégia de prevenção. A padronização da colostragem, da cura do umbigo e dos demais cuidados iniciais contribui para reduzir perdas e melhorar a produtividade do rebanho ao longo do tempo.
Com informações Grupo Inca.















