Com o tema “S.O.S. BR-235: A Ponte que Sustenta Vidas, o Agro e o Desenvolvimento Regional”, a audiência foi realizada no Colégio de Tempo Integral Antônio Martins Belarmino Filho e reuniu cerca de 1.100 pessoas, entre moradores, produtores rurais, comerciantes, estudantes, representantes do setor produtivo e autoridades.
A construção de uma nova ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, em Pedro Afonso, foi confirmada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) durante audiência pública realizada nesta sexta-feira (7). Além da nova estrutura, o órgão anunciou a liberação parcial da ponte atualmente interditada, a ampliação da travessia por balsas e intervenções em rodovias da região para reduzir os impactos da interrupção.
Com o tema “S.O.S. BR-235: A Ponte que Sustenta Vidas, o Agro e o Desenvolvimento Regional”, a audiência foi realizada no Colégio de Tempo Integral Antônio Martins Belarmino Filho e reuniu cerca de 1.100 pessoas, entre moradores, produtores rurais, comerciantes, estudantes, representantes do setor produtivo e autoridades.
Os anúncios foram feitos pelo diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT, Fábio Pessoa da Silva Nunes, que detalhou o cronograma das ações previstas pelo Governo Federal para restabelecer a mobilidade na região.
Segundo ele, o edital de licitação para a construção da nova ponte será publicado ainda neste mês de agosto. A futura estrutura será duplicada, já preparada para acompanhar uma futura duplicação da BR-235, e deverá ser concluída em até dois anos. Após a entrega da nova ponte, a estrutura atual será demolida.
Enquanto a obra não é iniciada, o DNIT anunciou medidas emergenciais para minimizar os transtornos enfrentados pela população e pelo setor produtivo. Até o fim deste mês, quatro balsas gratuitas deverão entrar em operação para ampliar a capacidade da travessia de pessoas, veículos e cargas, garantindo o deslocamento e o escoamento da produção de grãos, cana-de-açúcar e gado.
Outra medida anunciada foi a liberação parcial da ponte atual, prevista para ocorrer nos próximos 15 dias, após novas avaliações técnicas. O tráfego será permitido apenas para veículos de pequeno porte, ambulâncias, micro-ônibus, ônibus escolares e caminhões de coleta de lixo. O controle de acesso e a segurança da operação ficarão sob responsabilidade do DNIT, com apoio da Polícia Militar.
Recuperação da TO-010
Durante a audiência, o DNIT também informou que concluirá, na próxima semana, a contratação das empresas responsáveis pela construção de duas pontes de concreto e pela recuperação do trecho da TO-010, entre Pedro Afonso e Tocantínia.
O segmento pavimentado entre Tocantínia e Lajeado também será recapeado. A rodovia estadual passou a ser utilizada como principal rota alternativa após a interdição da BR-235, mas possui pontes de madeira consideradas um risco para os usuários. Diante desse cenário, o Governo Federal assumirá temporariamente a responsabilidade pela recuperação e conservação do trecho.
Setor produtivo acompanha discussões
A audiência contou com a presença do governador Wanderlei Barbosa, do vice-governador Laurez Moreira, deputados federais e estaduais, representantes de órgãos públicos, além de entidades ligadas ao agronegócio.
Entre elas esteve a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (FAET), representada pelo superintendente Miller Santana e pelo diretor jurídico do Sistema FAET/Senar, Luiz Renato Provenzano. Durante o encontro, Miller reforçou a importância da infraestrutura logística para a competitividade do agronegócio e destacou que a entidade acompanha de perto as demandas que impactam diretamente os produtores rurais.
A presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região (Sirpar), Simone Sandri, também destacou que a logística é essencial para o transporte de insumos, o escoamento da produção e o acesso aos mercados consumidores.
A audiência foi organizada pela Comissão Interinstitucional de Coordenação das Ações Relacionadas à Interdição da Ponte da BR-235, formada pela Coapa, Sirpar, Prefeitura de Pedro Afonso, Associação Comercial e Industrial de Pedro Afonso (Acipa), Câmara Municipal e pelos movimentos Pró-BR-235 e Pró-TO-010. Ao final do encontro, os organizadores afirmaram que acompanharão a execução de todos os compromissos assumidos pelo DNIT.
A ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, foi interditada preventivamente pelo DNIT em 20 de maio de 2026, após uma inspeção técnica identificar problemas estruturais na obra.
Quase dois meses depois, em 17 de julho, o órgão confirmou que os danos eram irreversíveis. Ensaios de carga e análises laboratoriais realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) identificaram deterioração no concreto das fundações provocada por reações químicas internas, comprometendo a segurança da estrutura. Diante do diagnóstico, o DNIT decidiu manter a interdição total da ponte e anunciou que a solução definitiva seria a construção de uma nova travessia.
Desde então, moradores, produtores rurais, transportadores e empresas passaram a depender de rotas alternativas e da travessia por balsas para cruzar o Rio Tocantins. A mudança aumentou o tempo de deslocamento entre os municípios e trouxe reflexos para o transporte de pacientes, estudantes e trabalhadores, além de impactar o abastecimento do comércio e a prestação de serviços públicos.
No setor produtivo, os prejuízos também são expressivos. Estimativas da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa) apontam que o desvio acrescenta entre 120 e 130 quilômetros ao percurso dos caminhões, elevando os custos logísticos entre R$ 8 e R$ 10 por tonelada. O aumento das despesas afeta o escoamento da produção agrícola, a chegada de fertilizantes, sementes e defensivos para a próxima safra e reduz a competitividade das empresas da região.
Na época da interdição, a presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região (Sirpar), Simone Sandri, classificou o bloqueio como “um duro golpe para toda a região”, destacando os impactos sobre os custos logísticos, o abastecimento e a mobilidade. Ela ressaltou que a ponte é estratégica para o escoamento de grãos, o transporte de máquinas agrícolas e a circulação de trabalhadores do campo.
O presidente da Coapa, Ricardo Khouri, também alertou que a interrupção da travessia compromete a logística de exportação dos grãos produzidos no Médio Norte do Tocantins. Segundo ele, o aumento dos custos de transporte pode provocar renegociações comerciais e comprometer o abastecimento de insumos para a próxima safra.
Os reflexos da interdição já são percebidos no cotidiano da população. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram pacientes sendo transportados em pequenas embarcações para atravessar o Rio Tocantins, evidenciando os desafios enfrentados diariamente por quem depende da travessia para acessar serviços de saúde, educação e trabalho.
















