Evento reunirá autoridades, produtores rurais, empresários e moradores para definir propostas que serão encaminhadas ao DNIT e ao Ministério dos Transportes
Quase dois meses após a interdição da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, lideranças políticas, representantes do setor produtivo e entidades da sociedade civil promoverão uma audiência pública para discutir alternativas que reduzam os impactos causados pelo bloqueio da estrutura.

O encontro será realizado no dia 7 de agosto, a partir das 8 horas, no auditório do Colégio Cívico-Militar Professor Antônio Belarmino Filho, em Pedro Afonso. A participação é aberta à população.
Com o tema “S.O.S. BR-235: A Ponte que Sustenta Vidas, o Agro e o Desenvolvimento Regional”, a audiência busca reunir propostas para minimizar os prejuízos enfrentados pela população e pelos setores econômicos da região desde a interdição da ponte.
Entre as medidas que deverão ser debatidas estão a construção de uma nova ponte sobre o Rio Tocantins, a ampliação da capacidade de operação das balsas utilizadas na travessia e melhorias nas rotas alternativas, incluindo a pavimentação da TO-010. As propostas definidas durante o encontro serão encaminhadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e ao Ministério dos Transportes.
A realização da audiência foi definida durante reunião realizada nesta quarta-feira (22), na sede da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), com a participação de representantes da Prefeitura de Pedro Afonso, Câmara Municipal, Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região (Sirpar), Associação Comercial e Industrial de Pedro Afonso (Acipa), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Movimento Pró-BR-235, Movimento TO-010, Polícia Militar e demais instituições envolvidas na mobilização.
Durante o encontro preparatório, as lideranças voltaram a destacar os reflexos da interdição para a região. Entre os principais problemas apontados estão as dificuldades de deslocamento de moradores, pacientes, estudantes e trabalhadores, além dos impactos sobre o abastecimento, o comércio, a prestação de serviços públicos e o escoamento da produção agropecuária.
Entenda o caso

A ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, foi interditada preventivamente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em 20 de maio de 2026, após a identificação de problemas estruturais durante uma inspeção técnica.
Quase dois meses depois, em 17 de julho, o DNIT concluiu as investigações e confirmou que a estrutura sofreu danos irreversíveis. Ensaios de carga e análises laboratoriais realizadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) identificaram deterioração no concreto das fundações provocada por reações químicas internas, comprometendo a segurança da ponte. Com isso, o órgão decidiu manter a interdição total da travessia e anunciou que a solução definitiva será a reconstrução da ponte, descartando sua recuperação estrutural.
Enquanto uma nova estrutura não é construída, moradores, produtores rurais, transportadores e empresas seguem utilizando rotas alternativas e a travessia por balsas. A mudança já trouxe impactos à rotina da população, com aumento no tempo de deslocamento entre os municípios, dificuldades no transporte de pacientes, estudantes e trabalhadores, além de reflexos no abastecimento do comércio e na prestação de serviços públicos.
No setor produtivo, as consequências também já são sentidas. Segundo estimativas da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), o desvio acrescenta entre 120 e 130 quilômetros ao trajeto dos caminhões e pode elevar os custos logísticos entre R$ 8 e R$ 10 por tonelada. A situação afeta o escoamento da produção agrícola, a chegada de fertilizantes, sementes e defensivos para a próxima safra e aumenta os custos para produtores e empresas da região.
Na época da interdição, a presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região (Sirpar), Simone Sandri, afirmou que o bloqueio representa “um duro golpe para toda a região”, ao elevar os custos logísticos, atrasar o transporte de insumos e comprometer o abastecimento e a mobilidade regional. Ela também ressaltou que a ponte é estratégica para o escoamento de grãos, o transporte de máquinas agrícolas e a circulação de trabalhadores do setor.
O presidente da Coapa, Ricardo Khouri, alertou que a interrupção da travessia compromete a logística de exportação dos grãos produzidos na região e pode provocar renegociações comerciais em razão do aumento dos custos de transporte. Segundo ele, a situação também coloca em risco o abastecimento de insumos para a próxima safra, impactando diretamente a competitividade do agronegócio no Médio Norte do Tocantins.
(Foto: DNIT).
Mobilidade e serviços essenciais já sentem reflexos
Os efeitos da interdição já começam a aparecer na rotina da população. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pacientes sendo transportados em pequenas embarcações improvisadas para cruzar o Rio Tocantins.















