Agenda mostrou na prática como pesquisa, políticas de incentivo, associativismo e tecnologia têm contribuído para a evolução da pecuária sul-mato-grossense
Uma propriedade com mais de 70 anos de história, que acompanhou as transformações da pecuária no Cerrado e hoje reúne seleção genética, tecnologia e integração lavoura-pecuária na produção de animais precoces, esteve entre as referências conhecidas por produtores tocantinenses durante missão técnica realizada em Mato Grosso do Sul.
A Fazenda Cachoeirão, do produtor Nedson Rodrigues Pereira, foi uma das paradas da comitiva tocantinense entre os dias 10 e 12 de agosto. A agenda percorreu diferentes elos da pecuária sul-mato-grossense para conhecer, na prática, como produção, pesquisa, políticas públicas e organização dos produtores contribuíram para a evolução da atividade no estado.
Além da propriedade rural, o grupo esteve na Embrapa Gado de Corte, na Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), conheceu iniciativas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e visitou a Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce (ASPNP), entidade com 28 anos de atuação.
A missão foi organizada pela Associação Novilho Precoce Tocantins e reuniu associados e representantes do Governo do Estado. A comitiva foi liderada pelo presidente da entidade, Ricardo Passos, e contou com o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Frederico Sodré; o diretor de Agricultura e Pecuária, José Américo; e representantes da Adapec.
Fazenda atravessou transformações da pecuária no Cerrado
Na Fazenda Cachoeirão, última parada da programação, a comitiva encontrou um exemplo de como a pecuária mudou ao longo das últimas décadas.
A propriedade iniciou suas atividades em 1952, quando a criação de gado era uma das poucas alternativas produtivas disponíveis na região de Cerrado. Ao longo de mais de sete décadas, acompanhou mudanças importantes na atividade e incorporou seleção genética, manejo, tecnologia e integração lavoura-pecuária.
Atualmente, a fazenda trabalha com foco na produção de animais precoces e de qualidade. O proprietário, Nedson Rodrigues Pereira, também é associado e ex-presidente da ASPNP e acompanhou de perto o processo de organização dos produtores de novilho precoce em Mato Grosso do Sul.
Para ele, o associativismo contribuiu para que o pecuarista passasse a enxergar o negócio para além da própria fazenda.
“A gente olhava muito da porteira para dentro. Com o associativismo, passamos a conversar com frigoríficos, varejo e outros elos e entender onde o nosso produto está inserido. Isso fez com que conseguíssemos enxergar o nosso negócio de forma mais ampla”, relatou.
Para Ricardo Passos, a propriedade reuniu na prática vários dos temas discutidos ao longo dos três dias de missão.
“A Fazenda Cachoeirão é um grande exemplo de produção de carne de qualidade, seleção genética, integração lavoura-pecuária e gestão. Muito do que buscamos estamos vendo aqui na prática”, afirmou.
Mato Grosso do Sul reduziu idade média de abate
Além das experiências dentro das propriedades, a comitiva conheceu políticas públicas voltadas à pecuária. Na Iagro, foram apresentados programas de incentivo, entre eles o de produção de novilho precoce e o Carne Orgânica e Sustentável do Pantanal, além de sistemas relacionados à vigilância, inteligência, gestão e defesa sanitária.
Entre os números apresentados durante a agenda, um dos destaques foi a evolução da produção de animais precoces. Conforme os dados compartilhados com a comitiva, a idade média de abate, que já esteve em cerca de 44 meses, atualmente está próxima de 22 meses.
No mesmo período, o rebanho estadual passou de aproximadamente 25 milhões para uma faixa entre 17 milhões e 18 milhões de cabeças, ao longo de cerca de 15 anos, enquanto o abate anual permaneceu próximo de 4 milhões de animais.
Em 2025, segundo as informações apresentadas ao grupo, cerca de 1,6 mil produtores participaram do programa de incentivo, respondendo pelo abate de aproximadamente 1,5 milhão de animais, mais de 35% do total estadual.
Outro aspecto observado pelos tocantinenses foi que os critérios de incentivo vão além das características dos bovinos e consideram boas práticas nas propriedades, gestão, sustentabilidade e regularidade da atividade.
“Isso mostra o quanto o incentivo à melhoria do processo produtivo pode trazer mais produtividade, qualidade e equilíbrio para o sistema”, avaliou Ricardo.
O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, destacou a troca de experiências entre os estados.
“É importante essa troca de conhecimento entre os dois governos para que a gente possa fazer benchmarking e buscar melhorias contínuas nos nossos programas. Esperamos poder contribuir com o Governo do Tocantins e com os produtores tocantinenses”, afirmou.
Associação reúne 28 anos de experiência
Outro destino da missão foi a sede da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce. A ASPNP atua há 28 anos e é considerada uma entidade irmã da Novilho Precoce Tocantins.
Recebida pelo presidente Rafael Gratão e integrantes da diretoria, a comitiva conheceu a trajetória da associação e experiências de organização dos produtores e aproximação com outros segmentos da cadeia da carne.
“O maior aprendizado é a coletividade. É entender que diretoria, equipe e associados precisam trabalhar juntos. Uma associação forte significa associados fortes e, quando isso acontece, toda a cadeia ganha”, destacou Gratão.
A missão também contou com a participação de Heitor Ferraz e Orlando Machado, filhos de associados envolvidos com a atividade pecuária. Os dois representaram a Academia do Novilho Jovem, iniciativa em processo de implementação no Tocantins inspirada em experiência desenvolvida em Mato Grosso do Sul.
“Viemos aprender como funciona a questão do novilho precoce, conhecer os incentivos e as vantagens para o produtor. Estamos aqui para conhecer essa estrutura e levar conhecimento para o nosso estado”, explicou Heitor.
Para Orlando, o contato com produtores, indústria e poder público amplia a visão dos jovens sobre a atividade. “Todo conhecimento é válido e estamos aqui justamente em busca disso, para agregar e levar novas referências para o Tocantins”, afirmou.
Pesquisa e tecnologia na Embrapa
Na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, a agenda saiu da organização institucional e avançou para pesquisa e tecnologia aplicada à produção.
A comitiva conheceu estudos e tecnologias relacionados a melhoramento genético, pastagens e forrageiras, sanidade, nutrição, manejo e sustentabilidade.
Entre as experiências apresentadas esteve o desenvolvimento de uma nova braquiária utilizada em sistema integrado com floresta plantada. Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária do Tocantins, Frederico Sodré, a visita mostrou alternativas que buscam conciliar produtividade e sustentabilidade.
“Estamos conhecendo tecnologias desenvolvidas para uma produção mais sustentável, principalmente na pecuária. Entre o que vimos está o desenvolvimento de uma nova braquiária em sistema consorciado com floresta plantada, com benefícios relacionados ao bem-estar animal e também à produtividade de carne”, destacou.
Com o encerramento da missão, as experiências conhecidas em Mato Grosso do Sul passam a servir de referência para discussões no Tocantins sobre incentivo à produção de animais precoces, tecnologia, boas práticas e organização dos produtores.
Para Ricardo Passos, um dos principais aprendizados está justamente na atuação conjunta. “É isso que buscamos para a nossa pecuária e para os nossos associados. Vamos crescer juntos, trabalhar juntos e buscar os melhores resultados juntos”, concluiu.














