Documento disponibilizado para candidatos nas eleições de 2026 reúne propostas em seis áreas estratégicas e defende investimentos de longo prazo em ciência, tecnologia e inovação no campo
A Embrapa disponibilizou aos candidatos aos poderes Executivo e Legislativo, nas eleições de 2026, uma agenda estratégica com diagnósticos e recomendações para o futuro da agricultura brasileira. Entre as prioridades estão adaptação às mudanças climáticas, ampliação do uso de bioinsumos, conectividade rural, segurança alimentar, bioeconomia e redução da dependência de insumos importados.
Intitulado Agenda estratégica para a agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação, o documento também está disponível ao público e foi elaborado com o objetivo de subsidiar programas de governo, propostas legislativas e políticas públicas relacionadas ao setor agropecuário.
A publicação parte da avaliação de que, apesar da posição de destaque do Brasil na produção agropecuária mundial, o país ainda enfrenta desafios que podem afetar a competitividade e a sustentabilidade do setor no longo prazo. Entre eles estão os impactos das mudanças climáticas, as desigualdades no meio rural, a dependência externa de insumos considerados estratégicos e as limitações de acesso à tecnologia e à conectividade.
Bioinsumos e menor dependência externa
Um dos pontos destacados pela Embrapa é a necessidade de ampliar a produção e a utilização de bioinsumos na agricultura brasileira. A agenda cita biofertilizantes, inoculantes, bioinseticidas e biofungicidas como alternativas capazes de reduzir impactos ambientais e a dependência de determinados insumos químicos.
A questão ganha importância diante da exposição do Brasil ao mercado internacional de fertilizantes. Conflitos geopolíticos e problemas na produção ou no fornecimento por países exportadores podem afetar custos e disponibilidade de produtos utilizados nas lavouras brasileiras.
A agenda também aponta para a recuperação de áreas degradadas e para a ampliação de tecnologias de baixo carbono como caminhos para aumentar a capacidade de adaptação da produção agropecuária às mudanças do clima.
Conectividade ainda limita avanço tecnológico no campo
Outro desafio apontado é a infraestrutura digital. Segundo dados da Pnad Contínua TIC/IBGE apresentados no documento, o acesso domiciliar à internet nas áreas rurais chegou a 88% em 2025. Em 2016, o percentual era de 35%.
Apesar do avanço, a cobertura necessária para a utilização de tecnologias diretamente nas áreas produtivas ainda apresenta limitações. A cobertura de rede móvel celular alcança 68% dos domicílios rurais.
Dados do Indicador de Conectividade Rural, da ConectarAGRO em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), também citados na agenda, mostram que, em março de 2025, 33,9% da área agricultável brasileira possuía cobertura 4G. Apenas 48,1% dos imóveis rurais tinham toda a área agricultável conectada.
A limitação pode dificultar a adoção de ferramentas como agricultura de precisão, sensores, Internet das Coisas (IoT), monitoramento remoto e outras tecnologias dependentes da transmissão de dados.
Para a Embrapa, ampliar a conectividade é uma das condições para avançar na modernização da agricultura e permitir que produtores de diferentes portes tenham maior acesso às novas tecnologias.
Seis prioridades para a agricultura
A agenda foi organizada em seis dimensões estratégicas: segurança alimentar e nutricional; agricultura sustentável e resiliência às mudanças climáticas; bioeconomia; transição energética e bioenergia; desenvolvimento territorial e inclusão produtiva; e transformação digital.
Na bioeconomia, a proposta é ampliar o aproveitamento sustentável da biodiversidade e da biomassa brasileira para geração de produtos, serviços e novos negócios. Já na transição energética, são destacados segmentos como biocombustíveis, biogás e biometano.
O desenvolvimento territorial aparece associado à necessidade de reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso à tecnologia, crédito e assistência técnica, especialmente para agricultores familiares e outros públicos com menor acesso aos instrumentos de desenvolvimento produtivo.
Investimento em pesquisa
Além das propostas direcionadas às cadeias produtivas, a Embrapa defende maior estabilidade dos investimentos públicos em ciência, tecnologia e inovação agropecuária.
Para o Poder Executivo, o documento aponta medidas como fortalecimento da articulação entre ministérios, ampliação dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento de estratégias de adaptação climática e avanço da transformação digital no campo.
No Legislativo, as recomendações incluem o aperfeiçoamento do marco legal relacionado à inovação agropecuária, fortalecimento das bases legais e orçamentárias da política agrícola e criação ou aprimoramento de instrumentos voltados à bioeconomia, transição energética, desenvolvimento territorial e inclusão produtiva.
Com a divulgação do documento durante o período eleitoral, a Embrapa pretende inserir esses temas no debate sobre as políticas públicas que deverão orientar o desenvolvimento da agricultura brasileira nos próximos anos.


















