Restrição entra em vigor nesta quinta-feira (3); receita com exportações de carne bovina tocantinense cresceu 20,6% no segundo trimestre
A União Europeia deve suspender, a partir desta quinta-feira (3), as importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil. A restrição entra em vigor em um momento de valorização da carne bovina brasileira no mercado internacional e de crescimento da receita obtida pelo Tocantins com as vendas externas do produto.
Apesar das negociações entre autoridades brasileiras e europeias, não houve avanço suficiente até o momento para impedir a medida. A restrição alcança principalmente carnes bovina e de aves, além de ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos.
A decisão está relacionada às exigências da União Europeia para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. O governo brasileiro tenta obter o reconhecimento dos sistemas nacionais de fiscalização e certificação para recuperar o acesso ao mercado europeu.
Tocantins amplia receita com carne bovina
No Tocantins, a entrada em vigor da restrição coincide com um período de crescimento das receitas obtidas com a carne bovina no exterior.
Dados do Boletim Técnico do Sistema FAET/SENAR Tocantins, elaborados a partir de informações do Agrostat, mostram que as exportações tocantinenses de carne bovina in natura movimentaram US$ 179,3 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 20,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados cerca de US$ 148,7 milhões.
A alta ocorreu mesmo com uma pequena redução na quantidade comercializada. O volume exportado caiu 2,9%, passando de aproximadamente 30 mil toneladas no segundo trimestre de 2025 para 29,1 mil toneladas neste ano.
O resultado foi sustentado pela valorização do produto. O valor médio da carne bovina tocantinense exportada passou de aproximadamente US$ 4,96 por quilo para US$ 6,17 por quilo.
Com esse desempenho, a carne bovina in natura foi o segundo principal produto da pauta de exportações do agronegócio tocantinense no período, atrás apenas da soja em grãos.
Considerando o conjunto das carnes, o Tocantins movimentou US$ 185,7 milhões no mercado externo entre abril e junho, alta de 20,5% sobre o mesmo período de 2025. O segmento respondeu por 16,4% das exportações do agronegócio estadual.
Mercado europeu tem maior peso em receita
Embora a suspensão represente uma nova barreira para a pecuária brasileira, a União Europeia não está entre os maiores compradores da carne bovina nacional quando considerado apenas o volume comercializado.
Em 2025, o Brasil exportou 108,6 mil toneladas de carne bovina para o bloco, o equivalente a cerca de 3,5% das vendas externas do produto.
A participação europeia é maior em receita. O bloco respondeu por aproximadamente 5,5% do faturamento das exportações brasileiras de carne bovina, devido ao maior valor dos cortes destinados a esse mercado.
Considerando carnes, ovos e mel, estimativas divulgadas pelo setor apontam que cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras podem ser afetados pela restrição.
Os dados disponíveis, porém, não permitem dimensionar um eventual impacto direto da medida sobre o Tocantins, já que o levantamento estadual utilizado não detalha quanto da carne bovina tocantinense exportada tem a União Europeia como destino.
Auditoria avalia controles brasileiros
Nos últimos dias, técnicos europeus estiveram no Brasil para avaliar produtores, estabelecimentos e os sistemas de controle adotados pelo país em relação ao uso de antimicrobianos.
A auditoria pode contribuir para uma eventual retomada das exportações de determinados produtos, especialmente de cadeias com ciclos produtivos mais curtos, como a avicultura. A avaliação, no entanto, ocorreu às vésperas da entrada em vigor das novas exigências e não foi suficiente para evitar a suspensão prevista para quinta-feira.
Para a carne bovina, o cenário é considerado mais complexo. As exigências europeias não se restringem aos procedimentos realizados nos frigoríficos e envolvem a comprovação do cumprimento das regras ao longo da cadeia produtiva dos animais destinados ao bloco.
Com isso, o Brasil terá de continuar negociando o reconhecimento de seus controles sanitários e, paralelamente, administrar a produção que deixará de acessar o mercado europeu enquanto permanecer a restrição.


















