Boletim aponta condição crítica nos rios Tocantins e Araguaia, aumento do risco de incêndios e impactos para a agricultura durante o período seco
O período seco já começa a pressionar os recursos hídricos no Tocantins. Divulgado nesta última terça-feira (16), o Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), aponta que o oeste do estado concentra áreas com seca moderada e severa, enquanto a bacia Tocantins-Araguaia deve registrar vazões abaixo da média nos próximos meses, cenário que acende um alerta para a agropecuária, a geração de energia e o abastecimento de água.
Mapa gerado com Inteligência Artificial.
O documento mostra que, embora parte da Amazônia registre níveis elevados dos rios, o cenário é diferente na bacia Tocantins-Araguaia, onde a tendência é de redução da disponibilidade hídrica ao longo de julho. A previsão acompanha a diminuição das chuvas típica desta época do ano e pode influenciar atividades como agricultura, pecuária, geração de energia e abastecimento de água.
Segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3), utilizado pelo Cemaden para monitorar a intensidade da estiagem, as condições de seca moderada e severa estão concentradas no oeste do Tocantins, além de áreas do centro-sul do Pará e do norte do Amazonas. Apesar de a projeção indicar uma redução no número de municípios em condição mais crítica até o fim de junho, o monitoramento continua sendo considerado essencial durante o restante da estação seca.
Outro ponto de atenção envolve os recursos hídricos. A análise do Índice de Seca Chuva–Vazão (TSI) aponta que os rios Tocantins e Araguaia permanecem em condição crítica, com intensidade variando entre seca severa e extrema. A única exceção observada pelo estudo é a região da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, na cabeceira do rio Tocantins, onde a situação é classificada como seca moderada.
Para o setor agropecuário, o cenário reforça a necessidade de planejamento durante a entressafra e atenção à disponibilidade de água para irrigação, dessedentação animal e demais atividades produtivas. A redução das vazões também exige acompanhamento por parte de produtores rurais, usuários dos recursos hídricos e órgãos responsáveis pela gestão das bacias.
Norte concentra maior risco de fogo
Além da estiagem, o boletim também projeta aumento do risco de incêndios florestais durante o trimestre de junho a agosto. Mais de 5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro apresentam condições favoráveis à ocorrência de fogo, com maior concentração nas regiões Norte e Centro-Oeste.
O Cemaden classifica seis municípios brasileiros em nível de alerta alto para ocorrência de fogo, além de outros 429 em nível de alerta e 1.237 em condição de atenção. Embora o boletim não detalhe os municípios tocantinenses nesse recorte, o estado integra uma das áreas mais suscetíveis ao aumento das queimadas durante o período seco, reforçando a importância de medidas preventivas no campo.
Para especialistas, o monitoramento das condições climáticas torna-se uma ferramenta estratégica para orientar decisões no setor agropecuário e reduzir os impactos provocados pela combinação entre baixa umidade, estiagem prolongada e aumento do risco de incêndios.
Com informaçoes do Cemaden.
















