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Home Agricultura

Estudo do Ipea revela uso excessivo de defensivos na maioria dos municípios

por Yuri Felipe Sousa - Jornalista
em: 09/02/2026 10:43
Cat.: Agricultura
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Estudo do Ipea revela uso excessivo de defensivos na maioria dos municípios

Segundo as estimativas, quadro de 'sobreuso' aumentou no país entre 2006 e 2017. (Foto: Wenderson Araujo/CNA).

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As lavouras de mais de 80% dos municípios brasileiros apresentam uso economicamente ineficiente de defensivos agrícolas, segundo estudo publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em dezembro.

A informação consta no artigo “Sobreuso de Agrotóxicos no Brasil”, dos pesquisadores José Féres, do Ipea, e Loredany Rodrigues, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

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Para chegar à conclusão, os pesquisadores utilizaram o conceito de receita marginal (RMA) do uso de defensivos, que avalia o aumento do investimento no insumo em comparação com o retorno em receita aos agricultore

Ou seja, quando esse indicador é negativo, o gasto adicional com os insumos não se traduz em ganho proporcional de receita, caracterizando sobreuso.

Segundo as estimativas, esse quadro de “sobreuso” aumentou no país entre 2006 e 2017, anos dos últimos Censos Agropecuários, passando de 78% a 85% de todos os municípios.

A maior incidência de sobreutilização ocorre nas regiões Sul e Centro-Oeste, onde cerca de 90% dos municípios se enquadravam na condição.

De acordo com os autores, a situação é mais evidente em áreas com produção intensiva de soja e elevada adoção de sementes geneticamente modificadas tolerantes ao glifosato.

Nesses municípios, a receita adicional gerada por novos gastos com defensivos seria, via de regra, inferior ao custo do insumo. No agregado nacional, cada R$ 10 investidos a mais em defensivos resultaram em aproximadamente R$ 3,20 de receita adicional, segundo as estimativas do estudo.

Para Arthur Gomes, diretor de químicos da CropLife Brasil, trata-se de uma discussão interessante, mas o estudo aparenta ter “algumas lacunas”.

De acordo com ele, de forma geral, não há sobreuso de defensivos no Brasil porque o uso é determinado por critérios técnicos e econômicos.

Para Arthur Gomes, da CropLife Brasil, trata-se de uma discussão interessante, mas o estudo aparenta ter "algumas lacunas” — Foto: Divulgação
Para Arthur Gomes, da CropLife Brasil, trata-se de uma discussão interessante, mas o estudo aparenta ter “algumas lacunas” — Foto: Divulgação

“O primeiro ponto é que o artigo não considera o que seria perdido em caso de não investimento nos insumos. Os produtos são defensivos, não expansivos. O correto seria medir as perdas evitadas”, argumenta.

“Salvo situações específicas, não há excesso. Os produtores não querem usar mais do que precisam justamente por representar custo. O volume é definido por recomendação técnica agronômica”, sustenta.

Uso de defensivos

O levantamento do Ipea indica que o consumo anual de agrotóxicos no país passou de 180 mil para cerca de 800 mil toneladas entre 2003 e 2023. A intensidade média de aplicação atingiu 10,9 quilos por hectare, acima de países como Estados Unidos e China.

Soja, milho e cana-de-açúcar concentram aproximadamente 76% do volume total utilizado no país. Quanto a isso, o representante da CropLife justifica pelo fato de o Brasil realizar até três safras por ano em uma mesma área e a pressão das pragas em clima tropical ser maior do que em países de clima temperado.

“O controle só ocorre quando se atinge o nível de dano econômico. No caso do percevejo, por exemplo, é em torno de dois insetos por metro quadrado. O que existe é mais pressão de pragas, resistência e, em algumas regiões, até três safras por ano”, explica.

Número de registros

O estudo do Ipea também destaca a ampliação do número de registros de produtos no mercado brasileiro. Entre 2005 e 2019, foram aprovados mais de 3,1 mil produtos. Vale esclarecer que o número de registros inclui defensivos mais modernos, diferentes formulações de moléculas já registradas e até mesmo biológicos.

“Já tivemos ano com zero novas moléculas aprovadas, e isso mostra uma carência muito grande em termos de inovação. Novas moléculas contribuiriam tanto para aumentar a segurança quanto para elevar a produtividade no campo”, avalia Arthur.

Segundo ele, inclusive, o atraso nas aprovações prejudica essa equação econômica e acaba travando a modernização do manejo agrícola.

O estudo também aponta que a aplicação contínua pode reduzir a eficácia dos defensivos ao longo do tempo, em razão do desenvolvimento de resistência por parte de pragas e patógenos.

Boas práticas

Na conclusão, os autores defendem políticas que incentivem o uso mais racional dos agrotóxicos, com destaque para a ampliação do manejo integrado de pragas, que combina métodos biológicos, culturais e químicos.

“Nosso conjunto de ações está relacionado às boas práticas, desde a fiscalização para combater produtos ilegais, manejo integrado de pragas com biológicos até o treinamento dos aplicadores”, informa o representante da CropLife.

De acordo com Gomes, o aplicador também precisa ser habilitado e conhecer bem os produtos que utiliza. “Por isso, investimos bastante em capacitação. Um dos principais programas é o Aplicador Legal, que trabalha diretamente com quem está no campo.”

O estudo conclui que os defensivos têm papel relevante no aumento da produção agrícola brasileira, mas que o uso excessivo pode comprometer tanto os resultados econômicos quanto a sustentabilidade do setor no longo prazo.

Por Globo Rural.

Tags: AgriculturaAgronegóciodefensivos agrícolasipeaTocantins
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