Capacitações realizadas pela COAPA envolvem manejo de soja e milho, gestão, liderança e relacionamento com produtores em uma área de atuação que alcança 21 cidades.
As mudanças no manejo das lavouras, a incorporação de novas tecnologias e a necessidade de estreitar o relacionamento com os produtores têm levado cooperativas a investir não apenas em estrutura e serviços, mas também na formação das equipes que atuam diretamente com os associados.
No Tocantins, a Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (COAPA), presente em 21 municípios, mantém uma agenda de capacitações que, somente nas últimas semanas, levou profissionais a treinamentos dentro e fora do estado. As atividades passaram por temas como manejo de soja e milho, gestão de carteira de produtores, liderança e princípios do cooperativismo.
Uma das frentes está diretamente relacionada aos desafios encontrados nas lavouras. No dia 12 de agosto, produtores e técnicos participaram, em Pedro Afonso, de uma palestra sobre manejo para altas produtividades em anos de El Niño. A programação, realizada em parceria com a Nortox, abordou o uso de herbicidas pré-emergentes na soja e de fungicidas no milho safrinha.
Para o gerente da Unidade Técnica da COAPA, Marco Aurélio Pereira Leal, a atualização dos profissionais se torna necessária porque as condições enfrentadas pelos produtores não permanecem as mesmas entre os ciclos produtivos.
“Os desafios de manejo mudam a cada safra. Manter a equipe atualizada garante posicionamentos mais assertivos, evitando perdas de produtividade e garantindo a eficiência no campo”, afirmou.
Outro profissional da cooperativa, o agrônomo Jonaildo Martins, participa do curso Atualização no Cultivo de Soja, promovido pela Embrapa Soja e pelo Sistema OCB. O treinamento chegou ao quarto de seis módulos e possui aproximadamente 160 horas de atividades.
A formação combina conteúdo a distância e aulas práticas em Londrina (PR), passando pelo planejamento da lavoura, escolha de sementes, manejo fitossanitário e pós-colheita.
Também na área técnica, o assistente Warly Pires esteve em Bebedouro (SP), nos dias 12 e 13 de agosto, para o segundo módulo da 6ª edição do Bayer Coopera+ Transformação. Cerca de 90 profissionais de 50 cooperativas participaram da programação, que incluiu palestras e visita à estação de pesquisas da COOPERCITRUS.
O contato com profissionais de outras regiões é apontado como uma forma de comparar práticas adotadas nas cooperativas e conhecer soluções que podem ser adaptadas à realidade dos produtores tocantinenses.
Gestão da propriedade passa também pelo relacionamento
A capacitação não está restrita à parte agronômica. Uma das apostas da cooperativa é preparar técnicos e outros profissionais para administrar melhor o relacionamento com a própria carteira de produtores.
Desde julho, equipes participam de uma mentoria em Gestão e Liderança, com duração prevista de seis meses e encontros quinzenais. Inicialmente voltado aos profissionais da Unidade Operacional e da Loja Agropecuária, o treinamento chegou em agosto às equipes da Unidade Técnica e da Unidade Comercial Grãos.
A formação aborda gestão de pessoas, processos, conflitos, rotina e tempo. Para os técnicos, há ainda um trabalho específico relacionado à gestão da carteira de cooperados.
“Não adianta a gente entender a operação e não ter essa parte de gestão clara”, explicou a consultora Érica Lima, responsável pela mentoria.
Segundo ela, além de melhorar a atuação atual das equipes, a formação pretende preparar profissionais para assumir futuramente funções de coordenação e gerência.
Relação com cooperados também esteve em debate
O relacionamento entre cooperativas e produtores também esteve entre os temas discutidos durante a Semana de Competitividade 2026, realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, em Brasília.
Promovido pelo Sistema OCB, o encontro reuniu cerca de 800 participantes de todos os estados e do Distrito Federal. Com o tema “Cultivando a Cultura Cooperativista”, a programação discutiu como o crescimento das cooperativas pode ocorrer sem distanciamento dos princípios que caracterizam o modelo.
Participaram pela COAPA o presidente Ricardo Khouri, o conselheiro de administração Paulo Piton, a coordenadora de Recursos Humanos Mayara Miranda e a agente de Desenvolvimento Cooperativista Maria Silvana Ramos.
Piton participou, entre outras atividades, de uma oficina sobre comunicação com cooperados. Para ele, melhorar o fluxo de informações é um dos pontos que precisam acompanhar o crescimento das organizações.
“Precisamos melhorar junto com nosso cooperado, levando mais informação, credibilidade e transparência em todos os setores da nossa cooperativa”, disse.
A discussão também passa pela compreensão do papel do produtor dentro desse modelo de negócio. Diferentemente de uma relação convencional entre cliente e empresa, nas cooperativas o associado também participa da organização.
“Precisamos fazer com que o cooperado compreenda que não é apenas alguém que utiliza os serviços da COAPA, mas que faz parte dela, é dono dela e também é responsável pela continuidade desse movimento”, afirmou a coordenadora de Recursos Humanos, Mayara Miranda.
Para uma cooperativa espalhada por 21 cidades tocantinenses, o desafio é fazer com que esse relacionamento e o conhecimento técnico cheguem ao produtor independentemente da unidade em que ele é atendido. A estratégia adotada passa pela formação das equipes que estão diariamente em contato com as propriedades rurais, em um cenário no qual decisões de manejo, gestão e comercialização exigem cada vez mais informação e acompanhamento técnico.
Com informações da Cooperativa Coapa.
















