Mesmo com expectativa de expansão da área cultivada, estiagem reduziu a produtividade da safra 2026 e a queda nas cotações garantiu bônus do PGPAF para agricultores familiares.
O sorgo vem consolidando espaço nas lavouras do Tocantins e deve seguir em expansão nos próximos anos, impulsionado pelo fortalecimento do mercado exportador. O cenário, no entanto, contrasta com os resultados da safra 2026. O atraso no plantio, provocado pelo calendário do milho, aliado à falta de chuvas durante o desenvolvimento da cultura, reduziu a produtividade em parte das áreas cultivadas. Ao mesmo tempo, a queda nos preços levou o sorgo tocantinense a integrar a lista de produtos contemplados pelo Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF).
Em entrevista à Safras & Mercado, o vice-presidente da Aprosoja Tocantins, Thiago Facco, afirmou que a cultura deixou de ocupar um papel secundário no estado após o avanço das exportações.
“O sorgo era uma cultura que ficava em segundo plano porque praticamente não tinha mercado externo. Agora a cadeia começou a se organizar e as empresas passaram a trabalhar com volumes para exportação.”
Segundo Facco, o atraso no plantio do milho acabou postergando também a semeadura do sorgo, fazendo com que parte das lavouras enfrentasse um período de menor disponibilidade hídrica.
“As primeiras áreas produziram muito bem, mas as áreas colhidas nas últimas semanas tiveram produtividade bem abaixo da média por causa da falta de chuva.”
A Aprosoja Tocantins estima produtividade próxima de 3 mil quilos por hectare nesta temporada e avalia que, mesmo diante das dificuldades climáticas, a cultura continuará crescendo no estado. A expectativa é que a área cultivada alcance cerca de 200 mil hectares já no próximo ciclo, principalmente pela demanda crescente do mercado exportador.
Safra nacional também foi revisada para baixo
Os impactos da estiagem também foram identificados pela consultoria Safras & Mercado, que reduziu sua estimativa para a produção brasileira de sorgo em 2026, passando de 5,321 milhões para 5,083 milhões de toneladas.
Segundo o analista Paulo Molinari, a revisão foi motivada principalmente pelas perdas registradas em Goiás, Minas Gerais e Tocantins. A produtividade média nacional também caiu de 2.775 para 2.651 quilos por hectare, enquanto a estimativa para a região Norte/Nordeste passou de 3.200 para 3.040 quilos por hectare.
Produtores familiares terão acesso ao bônus
Além da redução da produtividade, o cenário de preços abaixo do valor de garantia fez com que o sorgo produzido no Tocantins fosse incluído entre os produtos contemplados pelo Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF).
O benefício, válido para produtores que contrataram financiamento pelo Pronaf, permite utilizar um percentual de desconto no pagamento ou na amortização das parcelas quando o preço de mercado fica abaixo do preço de garantia. Os percentuais são calculados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e oficializados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).















