Dados do Ministério da Saúde mostram predominância de acidentes durante a jornada de trabalho. Programação inclui demonstrações práticas e orientações sobre segurança e uso correto de EPIs.
O Tocantins registrou 7.244 acidentes de trabalho entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e reforçam a importância de ampliar ações voltadas à prevenção e à conscientização sobre o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Diante desse cenário, a Ferpam realiza, entre os dias 27 de julho e 1º de agosto, a Semana de Prevenção de Acidentes de Trabalho. A iniciativa, promovida em alusão ao Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, celebrado em 27 de julho, reúne exposição aberta ao público, demonstrações práticas e orientações técnicas voltadas a trabalhadores, gestores e profissionais da área.
Segundo o levantamento, do total de acidentes registrados no estado nos últimos 18 meses, 5.893 ocorreram durante a execução das atividades profissionais, 1.090 foram acidentes de trajeto — entre a residência e o local de trabalho, e outros 261 casos não tiveram classificação definida.
Somente no primeiro semestre de 2026 foram contabilizadas 2.054 ocorrências, sendo 1.665 acidentes típicos e 309 de trajeto.
Cortes, esmagamentos e lesões oculares lideram ocorrências
Entre os acidentes mais frequentes registrados no estado estão cortes, perfurações, esmagamentos e lesões oculares. De acordo com a Ferpam, muitos desses casos poderiam ser evitados com a utilização adequada dos equipamentos de proteção.
Para o especialista em Segurança do Trabalho da Ferpam, Lenno Nascimento, um dos maiores desafios das empresas ainda é transformar o uso dos EPIs em um hábito permanente entre os trabalhadores.
“Grande parte dos acidentes acontece não porque o EPI está indisponível, mas porque ele deixa de ser utilizado durante a atividade. É comum ouvir justificativas como ‘foi só um minuto’ ou ‘estava me atrapalhando’. Basta um descuido para que um acidente grave aconteça”, afirma.
O especialista destaca ainda que a eficácia da proteção depende também da escolha correta do equipamento.
“O EPI foi desenvolvido para proteger, não para atrapalhar. Quando ele é mal dimensionado, está fora da especificação da atividade ou possui uma numeração inadequada, o trabalhador tende a rejeitar o uso. Como resultado, isso reduz a proteção e aumenta significativamente o risco de acidentes”, explica.
Exposição apresenta impactos da falta de proteção
Durante a Semana de Prevenção, a Ferpam montou um estande com demonstrações visuais dos danos que podem ser provocados pela ausência de equipamentos de proteção. Entre os materiais expostos estão óculos de segurança perfurados por discos de corte e outros EPIs danificados durante simulações de acidentes.
Além da exposição, especialistas orientam os visitantes sobre a escolha adequada dos equipamentos, a aplicação da Norma Regulamentadora nº 6 (NR-6) e a importância da verificação do Certificado de Aprovação (CA), documento que comprova que o equipamento foi testado e aprovado para proteger contra riscos específicos.
Segundo Lenno Nascimento, antes da definição do EPI é indispensável realizar um levantamento dos riscos existentes em cada atividade.
“O Certificado de Aprovação garante que aquele equipamento foi aprovado para proteger contra determinados riscos. Mas, antes da escolha do EPI, é indispensável fazer um bom mapeamento dos riscos da atividade. Sem essa análise, aumenta a possibilidade de utilizar um equipamento inadequado.”
Segurança também no trajeto
Os dados do Sinan chamam atenção para os acidentes ocorridos durante o deslocamento ao trabalho. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, 1.090 trabalhadores sofreram acidentes de trajeto no Tocantins.
Por isso, a orientação é que os cuidados com a segurança não se limitem ao ambiente de trabalho. A recomendação inclui o respeito às leis de trânsito, o uso dos equipamentos obrigatórios para motociclistas e motoristas e a adoção de comportamentos seguros desde a saída de casa até o retorno após o expediente.
Para a Ferpam, a prevenção deve fazer parte da cultura das empresas e do dia a dia dos trabalhadores.
“Os números mostram que a segurança no trabalho precisa ser encarada como um compromisso diário. Um EPI pode representar a diferença entre voltar para casa em segurança ou sofrer uma lesão permanente. Quando o trabalhador entende o risco, a prevenção deixa de ser apenas uma obrigação e passa a fazer parte da cultura da empresa”, conclui Lenno Nascimento.
Serviço
Semana de Prevenção de Acidentes de Trabalho – Ferpam
- Período: 27 de julho a 1º de agosto
- Local: Ferpam – Palmas (TO)
- Programação: exposição aberta ao público, demonstrações práticas, orientações sobre a NR-6, escolha correta de EPIs e atendimento especializado.


















