Estado aparece entre os dez com maior número de solicitações do país; em todo o Brasil, cadeia do agronegócio contabilizou 474 pedidos entre janeiro e março de 2026
O Tocantins registrou 30 pedidos de recuperação judicial ligados à cadeia do agronegócio no primeiro trimestre de 2026 e aparece entre as dez unidades da Federação com maior número de solicitações no período. Os dados fazem parte de levantamento divulgado nesta quarta-feira, 12, pela Serasa Experian.
O indicador considera produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio. No ranking estadual, o Tocantins aparece empatado com o Rio Grande do Sul, também com 30 registros.
Mato Grosso lidera com 135 pedidos, seguido por Goiás, com 73, Paraná, com 50, Mato Grosso do Sul, com 38, e Minas Gerais, com 34. Depois aparecem Tocantins e Rio Grande do Sul, ambos com 30; São Paulo, com 28; Bahia, com 14; e Santa Catarina, com 12.
No cenário nacional, a cadeia do agronegócio contabilizou 474 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março deste ano, crescimento de 21,9% em relação aos 389 registrados no mesmo período de 2025.
Apesar do avanço na comparação anual, o resultado permanece abaixo dos patamares observados no segundo e terceiro trimestres do ano passado. Foram 565 pedidos no segundo trimestre e 628 no terceiro, maior número da série apresentada. No último trimestre de 2025, as solicitações recuaram para 408.
Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, os números do início deste ano refletem a continuidade de dificuldades que já vinham pressionando parte dos produtores e das empresas do setor.
“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo”, afirma.
Segundo Pimenta, a evolução dos pedidos ao longo dos próximos meses dependerá de fatores como capacidade de geração de receita, comportamento das margens e condições para renegociação das dívidas. O especialista destaca que a recuperação judicial deve ser tratada como último recurso, com prioridade para planejamento financeiro e renegociação.
Produtores rurais PJ puxam crescimento
Entre os perfis analisados, os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica apresentaram o maior crescimento. Foram 196 pedidos no primeiro trimestre de 2026, avanço de 73,5% em relação aos 113 registrados entre janeiro e março de 2025.
O cultivo de soja concentrou 137 solicitações nessa categoria, enquanto a criação de bovinos respondeu por outras 42. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o número de pedidos entre produtores rurais pessoa jurídica.
A evolução trimestral mostra que esse grupo registrou 243 solicitações no segundo trimestre e 242 no terceiro trimestre de 2025. No quarto trimestre, houve redução para 155 pedidos, antes da alta para 196 no início deste ano.
Pedidos entre produtores pessoa física recuam
O movimento foi diferente entre os produtores rurais que atuam como pessoa física. Foram 182 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, redução de 6,7% frente aos 195 registrados no mesmo período de 2025.
Entre esses produtores, aqueles classificados como “sem propriedades” concentraram 60 solicitações. Segundo a Serasa Experian, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.
Os pequenos proprietários aparecem na sequência, com 44 pedidos, seguidos pelos grandes, com 41, e médios, com 37.
No decorrer de 2025, os pedidos de produtores pessoa física passaram de 195 no primeiro trimestre para 220 no segundo e atingiram 255 no terceiro. Depois recuaram para 183 no quarto trimestre e chegaram aos 182 registrados nos primeiros três meses deste ano.
Empresas relacionadas ao agro têm alta de 18,5%
As empresas de atividades relacionadas à cadeia do agronegócio contabilizaram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, aumento de 18,5% em comparação com os 81 registrados no mesmo período do ano passado.
As agroindústrias de transformação primária lideraram esse recorte, com 23 pedidos, seguidas pelas indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e pelos serviços de apoio à agropecuária, com 15.
Paraná, São Paulo e Mato Grosso foram os estados com maior número de solicitações nesse grupo.
Recuperação judicial como último recurso
A Serasa Experian também aponta o uso de ferramentas de análise de risco como uma forma de identificar sinais de deterioração financeira antes que as dificuldades levem a medidas como a recuperação judicial.
Segundo a empresa, análises realizadas com o Agro Score mostraram que a pontuação média dos produtores rurais pessoas físicas que posteriormente solicitaram recuperação judicial já era significativamente inferior à média da população rural três anos antes da formalização do pedido.
A ferramenta utiliza inteligência artificial e modelos preditivos para avaliar informações específicas da atividade rural e identificar alterações no perfil financeiro.
“Quando a avaliação considera as particularidades da atividade rural, é possível reconhecer sinais que uma análise genérica pode não capturar. A combinação de dados, inteligência artificial e modelos preditivos permite diferenciar os níveis de risco e tornar a concessão de crédito mais segura”, explica Marcelo Pimenta.
Metodologia
O Indicador Serasa Experian Agro de Recuperações Judiciais considera a quantidade de processos e de CPFs e CNPJs envolvidos em pedidos relacionados ao agronegócio.
Os dados são divididos entre produtores rurais pessoa física, produtores rurais pessoa jurídica e empresas relacionadas aos diferentes elos da cadeia agro.
A Serasa Experian ressalta que um mesmo processo pode envolver participantes de mais de um desses grupos. Por isso, os números apresentados separadamente por perfil não devem ser somados para chegar ao total geral de pedidos.


















