Estado registra a maior taxa entre os quatro que formam o Matopiba; indicador brasileiro alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026
A inadimplência entre pessoas físicas da população rural chegou a 12,2% no Tocantins no primeiro trimestre de 2026, percentual 3,4 pontos acima da média nacional, de 8,8%. Dados da Serasa Experian mostram ainda que o estado apresentou a maior taxa entre os quatro integrantes do Matopiba no período.
No recorte da fronteira agrícola, o Tocantins é seguido pelo Maranhão, com 12,1%, Piauí, com 11,8%, e Bahia, com 8%. Dessa forma, Tocantins, Maranhão e Piauí ficaram acima da média brasileira, enquanto a Bahia apresentou índice 0,8 ponto percentual abaixo do resultado nacional.
Na comparação entre todas as unidades da Federação, o Tocantins aparece com a sétima maior taxa de inadimplência rural do país. À frente estão Amapá (21,2%), Amazonas (15%), Roraima (14,4%), Acre (13,4%), Pará (13,2%) e Rio Grande do Norte (13%). Na outra ponta do ranking, o Rio Grande do Sul apresentou o menor percentual, de 5,8%.
O resultado tocantinense também está próximo do cenário observado na Região Norte, que registrou a maior taxa de inadimplência entre as regiões brasileiras no primeiro trimestre, com 13,2%. Na sequência aparecem Nordeste (10,2%), Centro-Oeste (10,1%), Sudeste (7,3%) e Sul (6,2%).
Inadimplência rural cresce no país
No Brasil, a inadimplência das pessoas físicas da população rural alcançou 8,8% no primeiro trimestre deste ano. O resultado representa alta de 0,6 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025, quando estava em 8,2%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, quando o indicador era de 7,6%, o avanço foi de 1,2 ponto percentual. Os dados mostram uma trajetória gradual de crescimento: o índice passou de 7,6% no primeiro trimestre de 2025 para 7,9% no segundo, 8% no terceiro, 8,2% no quarto e chegou aos atuais 8,8%.
O indicador considera dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira vencidas há mais de 180 dias e relacionadas a empresas de setores ligados ao agronegócio.
Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o cenário mostra que parte da população rural ainda enfrenta dificuldades para recuperar a capacidade financeira.
“A alta gradual da inadimplência mostra que, no início de 2026, os produtores rurais ainda enfrentam desafios para recompor sua capacidade financeira. Mesmo com uma perspectiva mais favorável para alguns segmentos do agronegócio, os efeitos de ciclos anteriores, com custos elevados, oscilações de preços e restrição ao crédito, seguem impactando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento no setor”, afirma.
Faixa de 30 a 39 anos concentra maior índice
O levantamento também apresenta diferenças de acordo com a faixa etária. O maior percentual foi registrado entre pessoas de 30 a 39 anos, com 13,6%, seguido pelas faixas de 18 a 29 anos, com 12,4%, e de 40 a 49 anos, com 11,3%.
A partir dos 50 anos, os índices diminuem gradualmente. Entre 50 e 59 anos, a taxa foi de 8,7%; de 60 a 69 anos, 7,1%; e de 70 a 79 anos, 6,2%. Entre pessoas com 80 anos ou mais, o percentual ficou em 3,8%.
Na análise por porte, o maior índice, de 11%, foi identificado entre pessoas sem informação de registro rural, grupo que, segundo a Serasa Experian, pode incluir possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos.
Entre os grandes proprietários rurais, a taxa ficou em 9,9%. Médios e pequenos registraram 8,6% e 8,3%, respectivamente.
Risco de crédito também aumenta
Outro indicador apresentado pela Serasa Experian reforça o cenário de maior pressão financeira. A pontuação média dos produtores rurais no Agro Score caiu de 606 pontos no primeiro trimestre de 2025 para 591 pontos no mesmo período de 2026, indicando maior percepção de risco de crédito.
A ferramenta utiliza inteligência artificial e técnicas de machine learning para combinar informações financeiras, cadastrais e específicas da atividade rural, com o objetivo de auxiliar instituições financeiras, cooperativas e empresas do setor na avaliação do perfil de crédito.
“Cada propriedade rural possui características próprias, e compreender essas particularidades é essencial para uma análise de risco mais assertiva. Com o Agro Score, reunimos inteligência de dados e informações específicas do agronegócio para apoiar instituições financeiras, cooperativas e empresas do setor na tomada de decisões mais seguras e equilibradas”, explica Marcelo Pimenta.
Como o indicador é calculado
Para o Indicador de Inadimplência do Agronegócio, a Serasa Experian considera dívidas vencidas há mais de 180 dias e até cinco anos, que somem pelo menos R$ 1 mil e estejam relacionadas ao financiamento e às atividades do agronegócio.
São considerados débitos com instituições financeiras, incluindo bancos, fundos e cooperativas de crédito; empresas ligadas ao agro, como agroindústrias, revendas de insumos e máquinas, produtores e serviços de apoio; além de segmentos como seguros, transporte de cargas e armazenamento.
O percentual é calculado sobre uma base de 10,7 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural. A identificação considera registros de propriedades classificadas como imóveis rurais, financiamentos rurais ou agroindustriais no Cadastro Positivo ou registro de atividade de produtor rural no Sintegra.


















