Paralisação do escoamento de grãos na região levou contratos futuros a acumularem altas; mercado brasileiro também acompanha valorização externa
Os preços do trigo ganharam força no mercado internacional no fim de agosto, influenciados pelos impactos do conflito na região do Mar Negro sobre o escoamento de grãos. A redução da disponibilidade do cereal russo no mercado global impulsionou as cotações nas bolsas internacionais e já apresenta reflexos nos preços praticados no Brasil.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CME Group) avançaram por cinco pregões consecutivos, enquanto na Bolsa de Kansas as altas foram registradas durante quatro sessões seguidas.
O movimento ocorre diante da situação dos portos responsáveis pelo escoamento de grãos pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov, que estão praticamente paralisados. Com a logística afetada pelo conflito, diminuiu a disponibilidade de trigo russo no mercado internacional.
A Rússia tem participação relevante no comércio mundial do cereal, o que faz com que alterações no fluxo de embarques da região tenham potencial para repercutir nas cotações internacionais.
Preços também avançam no Brasil
No mercado brasileiro, o Cepea identificou valorização do trigo nos últimos dias. Além da influência das altas externas, o movimento foi reforçado pelo avanço do dólar frente ao real.
A menor disponibilidade interna também continua limitando as negociações no mercado spot, contribuindo para sustentar os preços.
Com isso, o setor acompanha os próximos desdobramentos do conflito e, principalmente, a situação logística no Mar Negro, já que a continuidade das dificuldades no escoamento pode manter a oferta internacional de trigo pressionada.


















