Em um setor cada vez mais digital e conectado, profissionais que unem conhecimento técnico e comunicação estratégica tornam-se essenciais para aproximar ciência, mercado e sociedade
Durante muito tempo, o principal desafio do engenheiro agrônomo era produzir mais. Hoje, sem deixar essa missão de lado, surge um novo desafio: comunicar melhor. O agronegócio tornou-se mais tecnológico, conectado e próximo do consumidor, exigindo profissionais capazes de transformar conhecimento técnico em informação acessível, confiável e estratégica.
Tradicionalmente, a cadeia do agronegócio é dividida em três etapas: antes, dentro e depois da porteira. Historicamente, a atuação do engenheiro agrônomo concentrou-se nas duas primeiras, com foco em pesquisa, desenvolvimento de tecnologias, produção, manejo e assistência técnica. Entretanto, as transformações do setor vêm ampliando essas fronteiras.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que o agronegócio empregou cerca de 28,4 milhões de pessoas em 2025, com destaque para o crescimento dos agrosserviços, refletindo a expansão de áreas como inovação, gestão, comercialização e comunicação.
Essa evolução acompanha mudanças no comportamento da sociedade. Hoje, consumidores não escolhem apenas produtos, mas também marcas com propósito, transparência e credibilidade. As redes sociais deixaram de ser apenas canais de divulgação e passaram a exercer papel estratégico na construção de reputação e relacionamento.
Como consequência, empresas, cooperativas, agroindústrias, startups e instituições de pesquisa têm investido cada vez mais em branding, marketing digital e produção de conteúdo.
Nesse contexto, surge uma reflexão: se o engenheiro agrônomo domina os processos produtivos, por que ainda são poucos os que atuam estrategicamente na comunicação do agronegócio? A resposta não está em substituir os profissionais da comunicação, mas em fortalecer equipes multidisciplinares.
Enquanto comunicadores são especialistas em linguagem, posicionamento e relacionamento, o agrônomo agrega conhecimento técnico capaz de conferir profundidade, precisão e credibilidade às mensagens. Essa integração aproxima ciência, inovação e sociedade.
O próprio mercado já demonstra essa tendência, com o fortalecimento de entidades, cursos e eventos especializados em marketing e comunicação voltados ao agronegócio, evidenciando que essa área tornou-se parte estratégica do desenvolvimento do setor.
Mais do que vender produtos, o marketing tornou-se uma ferramenta para comunicar ciência, fortalecer a reputação das organizações, aproximar tecnologias dos produtores e enfrentar a desinformação sobre o agronegócio. Comunicar-se bem passou a ser parte da construção de confiança entre o campo e a sociedade.
Em um cenário cada vez mais conectado, cresce a demanda por profissionais que aliem conhecimento técnico e comunicação estratégica para aproximar a sociedade do agronegócio, valorizar a ciência produzida no setor e comunicar, com ética, responsabilidade e embasamento técnico, a diversidade e a complexidade do agro brasileiro.
Por Karolaynne Bevane, Engenheira Agrônoma e Técnica em Agronegócio pelo Instituto Federal do Tocantins (IFTO), mestranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECA) do IFTO – Campus Palmas, além de escritora e ilustradora. Possui experiência nas áreas de design, comunicação e mídias digitais, com atuação em projetos de pesquisa e extensão voltados ao agronegócio. Atualmente, é analista de design digital e social media no Parque Tecnológico da UFT (Pequi).

















