Mercado financeiro passou a reconhecer com mais intensidade o rebanho bovino como um ativo capaz de gerar liquidez durante o ciclo produtivo.
A pecuária brasileira entra em uma nova etapa após um período marcado pelo elevado abate de fêmeas. Com a retenção de matrizes reduzindo a oferta futura de animais e a demanda pela carne bovina permanecendo aquecida nos mercados interno e externo, o setor deve enfrentar um cenário em que eficiência produtiva e gestão financeira caminham lado a lado.
Segundo Henrique Schardong, diretor comercial da Plantae Agrocrédito, o crédito rural tende a assumir um papel cada vez mais estratégico dentro da atividade pecuária. Na avaliação do especialista, a ferramenta deixa de ser utilizada apenas em momentos de necessidade e passa a servir como instrumento para ampliar investimentos e acelerar o crescimento das operações.
De acordo com Schardong, a profissionalização da pecuária permite que produtores reduzam o intervalo entre ciclos produtivos, utilizando linhas de crédito para adquirir novos animais antes mesmo da conclusão da engorda de lotes já em produção. O modelo é especialmente favorecido pela expansão dos sistemas de confinamento e boitel.
O especialista destaca que o mercado financeiro passou a reconhecer com mais intensidade o rebanho bovino como um ativo capaz de gerar liquidez durante o ciclo produtivo. Na prática, isso pode resultar em maior velocidade de giro do capital, melhor aproveitamento das áreas de produção e ganho de competitividade.
Levantamento recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) projeta que Mato Grosso deverá confinar cerca de 1,44 milhão de bovinos em 2026, volume superior ao registrado no ciclo anterior. O estudo também aponta melhora na relação de troca entre boi gordo e milho, redução dos custos de alimentação e maior utilização de mecanismos de comercialização antecipada e proteção de preços.
Para Schardong, o desafio das instituições financeiras é acompanhar a dinâmica da atividade pecuária, oferecendo crédito no momento em que o produtor precisa tomar decisões estratégicas. Segundo ele, a integração entre produção, gestão financeira e acesso a recursos será um dos principais diferenciais competitivos do setor nos próximos anos.
Na avaliação do executivo, a próxima fase de evolução da pecuária brasileira deverá ser marcada menos pelo crescimento do rebanho e mais pela eficiência na utilização dos ativos disponíveis, com foco em produtividade, gestão de risco e velocidade de investimento.
Artigo baseado em análise de Henrique Schardong, diretor comercial da Plantae Agrocrédito, encaminhada à redação por assessoria de imprensa.

















