Relatório do USDA aponta região como principal frente para ampliação da área de soja no Brasil; atualização de agosto mantém país em posição de destaque no mercado mundial
O Tocantins está entre os estados que ganham espaço na expansão da soja no Matopiba, região formada também por Maranhão, Piauí e Bahia. Relatório do escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília aponta que a maior parte do crescimento projetado para a área brasileira destinada à oleaginosa na safra 2026/27 deverá ocorrer justamente nessa fronteira agrícola.
A avaliação consta no relatório Oilseeds and Products Annual – Brazil, publicado em março pelo Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do USDA. O documento projeta uma área de 50,5 milhões de hectares de soja no Brasil em 2026/27, ante 49,1 milhões de hectares estimados para 2025/26.
A perspectiva regional ganha ainda mais relevância diante do cenário apresentado na atualização de agosto do World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE). O relatório mensal do USDA aponta aumento da produção mundial de soja em 2026/27, maior processamento do grão e estoques globais ligeiramente superiores aos projetados anteriormente. Os estoques finais foram estimados em 124,2 milhões de toneladas.
Matopiba concentra avanço da área
No relatório específico sobre o Brasil, o USDA/FAS avalia que a maior parte da expansão da área brasileira de soja projetada para 2026/27 deverá ocorrer no Matopiba.
Entre os fatores considerados favoráveis ao avanço da agricultura na região estão a disponibilidade de áreas adequadas à produção e o potencial de desenvolvimento da infraestrutura destinada ao transporte de commodities.
O movimento já pode ser observado na safra atual. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citados pelo relatório do USDA/FAS, quase 42% da expansão da área brasileira de soja na safra 2025/26 ocorreu nos quatro estados do Matopiba.
A Bahia respondeu pelo maior avanço, com mais de 200 mil hectares adicionais, seguida pelo Tocantins, com 130 mil hectares, Maranhão, com 90 mil hectares, e Piauí, com 55 mil hectares.
Tocantins tem potencial para novas áreas de grãos
O Tocantins recebe destaque específico na análise internacional. Com base em informações da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (FAET), o relatório aponta que o estado possui quase 1,7 milhão de hectares cultivados com soja, além de aproximadamente 3 milhões de hectares considerados aptos à expansão da produção de grãos.
Na avaliação reproduzida pelo USDA/FAS, a incorporação desse potencial produtivo poderia colocar o Tocantins entre os cinco maiores estados produtores de soja do país.
O documento também chama atenção para o desempenho das lavouras tocantinenses na safra 2025/26. Até o fim de fevereiro, aproximadamente metade da área estimada já havia sido colhida, com rendimentos acima das expectativas iniciais.
Em algumas regiões do estado, segundo o relatório, produtores registraram produtividades superiores a 4,8 mil quilos de soja por hectare. O USDA/FAS também apontou boa qualidade dos grãos e condições de chuva suficientes para a conclusão do ciclo das lavouras avaliadas naquele momento.
Porto Nacional também aparece no documento por ter sediado, na Fazenda Alto da Serra, a abertura oficial da colheita brasileira de soja de 2026.
Brasil mantém protagonismo no mercado mundial
Enquanto o relatório do FAS detalha as perspectivas de expansão territorial, o WASDE de agosto apresenta o cenário mais recente para a oferta e demanda mundial.
Para 2025/26, o USDA estima a produção brasileira de soja em 180,5 milhões de toneladas, ante 172,5 milhões em 2024/25. As exportações são estimadas em 115 milhões de toneladas, frente a 103,14 milhões na temporada anterior.
No cenário mundial para 2026/27, o USDA aponta aumento da produção e do esmagamento de soja. As exportações globais permaneceram praticamente inalteradas em relação à projeção anterior, enquanto os estoques finais foram elevados ligeiramente para 124,2 milhões de toneladas.
O aumento da produção norte-americana compensou parcialmente a redução prevista para a Ucrânia. Já no comércio internacional, menores exportações ucranianas foram compensadas por uma projeção maior para a Argentina.
Expansão também amplia desafio logístico
O avanço da soja no Matopiba coloca a infraestrutura de armazenamento e escoamento entre os pontos importantes para acompanhar nos próximos anos. O relatório do USDA/FAS destaca justamente o potencial de desenvolvimento da infraestrutura de transporte de commodities como um dos fatores relacionados à expansão agrícola da região.
Para o Tocantins, a perspectiva de incorporação de novas áreas produtivas amplia a importância da capacidade de armazenagem e dos corredores utilizados para levar os grãos aos mercados consumidores e aos terminais de exportação.
Ao mesmo tempo, o USDA/FAS avalia que a expansão brasileira deverá ocorrer em ritmo mais moderado. Juros elevados, custos de produção e preços menos favoráveis ao produtor são apontados entre os fatores capazes de limitar novos investimentos.
Mesmo diante desse cenário, as projeções colocam o Matopiba como uma das principais frentes de crescimento da soja brasileira, com o Tocantins apresentando tanto expansão recente da área cultivada quanto disponibilidade de terras consideradas aptas para ampliar a produção de grãos.

















