Temperaturas mais elevadas, estresse hídrico, falhas na germinação e maior risco de queimadas estão entre os possíveis impactos; planejamento pode ajudar produtores a reduzir perdas
A possibilidade de redução das chuvas e de temperaturas mais elevadas durante a próxima safra coloca produtores rurais do Tocantins em alerta para os efeitos do El Niño. O fenômeno climático pode alterar a distribuição das precipitações e aumentar os riscos de estresse hídrico nas lavouras, exigindo maior atenção ao período de plantio e ao manejo do solo.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A alteração interfere na circulação atmosférica e pode provocar mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.
No Tocantins, um cenário de menor disponibilidade hídrica pode trazer reflexos para culturas importantes, como soja e milho, além das pastagens utilizadas pela pecuária.
Segundo a professora doutora do curso de Agronomia da Ulbra Palmas, Barbara Esteves, a combinação entre redução das precipitações e altas temperaturas pode afetar diretamente a produção agrícola.
“Com a redução das chuvas, há também uma tendência de aumento das temperaturas, que já são naturalmente mais elevadas nesse período na região. Outro ponto de atenção é o aumento da propensão às queimadas”, explica.
Estresse hídrico pode comprometer produtividade
A falta de água em momentos importantes do ciclo das culturas pode provocar diferentes consequências no campo. Entre os principais riscos estão atraso ou falha na germinação, estresse hídrico e redução da produtividade.
Os impactos podem ser maiores quando a deficiência de água ocorre em fases determinantes para o desenvolvimento das plantas, como o florescimento e o enchimento de grãos.
“O mundo agrícola, de maneira geral, pode sofrer efeitos pela redução da disponibilidade hídrica e pelo espalhamento das queimadas”, afirma Barbara.
Além das lavouras, as pastagens também podem ser afetadas pela menor disponibilidade de água e pelas temperaturas elevadas, ampliando os efeitos do cenário climático sobre a atividade pecuária.
Momento da semeadura exige cautela
Diante das incertezas climáticas, uma das principais recomendações é evitar decisões de plantio baseadas apenas no início pontual das chuvas. Nas grandes áreas, acompanhar as condições meteorológicas antes da semeadura pode reduzir o risco de falhas no estabelecimento das lavouras e a necessidade de replantio.
Outra estratégia é manter o solo coberto, prática que contribui para diminuir a perda de água por evaporação e conservar a umidade disponível para as plantas.
“A cobertura do solo auxilia na redução da evaporação da água, mantendo a região próxima às raízes mais úmida”, explica a professora.
Em propriedades onde a estrutura permite, a irrigação também pode contribuir para enfrentar períodos de menor disponibilidade hídrica. Outras medidas incluem a escolha de cultivares mais tolerantes à seca, manejo adequado do solo, acompanhamento de boletins agrometeorológicos e avaliação da contratação de seguro rural.
Barbara ressalta, no entanto, que as estratégias precisam considerar as condições de cada propriedade e contar com orientação técnica.
“É preciso cautela nesse momento e acompanhamento dos dados meteorológicos, com instituições como o INMET, que emite boletins mensais”, orienta.
Para o produtor tocantinense, o acompanhamento das previsões ao longo dos próximos meses será fundamental para definir o momento da semeadura e ajustar o manejo às condições efetivamente observadas no campo.

















